
Memórias póstumas de Brás Cubas é o romance que inaugura o Realismo na literatura do Brasil. Lançado inicialmente no formato de folhetim na Revista Brasileira, foi publicado em livro em 1881, apresentando inovações que até hoje o mantém na lista dos mais influentes romances nacionais. Narrado sem uma progressão linear pelo “defunto autor” Brás Cubas, a obra ironiza a elite, satiriza a sociedade com humor e um indisfarçável pessimismo, que termina por ser estendido a todo o gênero humano. No balanço final de sua vida, Brás Cubas contabiliza o saldo a seu favor: “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria”.




Triste fim de Policarpo Quaresma é uma das principais obras do chamado Pré-modernismo brasileiro. Publicado em 1911 como folhetim no Jornal do Commercio, diário do Rio de Janeiro, só apareceu em livro quatro anos depois em uma edição paga pelo próprio autor. A saga tragicômica do ingênuo nacionalista Quaresma escancara a frustração da expectativa de que o advento da República gerasse um país mais justo, mais ético, mais igualitário e solidário, com uma classe de poderosos menos mesquinha e predatória. O romance se passa nos anos de governo do Marechal Floriano Peixoto (1891-94) e abrange o episódio da Revolta da Armada, trazendo uma crítica ácida às ideias positivistas que imperavam na época.


Macunaíma é o romance ícone do Modernismo brasileiro. As aventuras do “herói sem nenhum caráter” são encadeadas livremente sem limitações de tempo e espaço, combinando temas populares, folclóricos e míticos em novos arranjos, características que levaram o próprio Mário de Andrade a definir sua obra como uma rapsódia. A linguagem é plena de experimentos e aproximada da oralidade, com falas, pontuação e sintaxe inéditos na literatura brasileira da época. Inclui ainda uma mordaz sátira à escrita dita culta no capítulo “Carta pras icamiabas”, paródia onde, como Mário conta em carta de 1931, transcreve frases inteiras de Rui Barbosa e de “cronistas portugueses coloniais”, entre outros. Escrito em dezembro de 1926 durante seis dias de férias em uma chácara em Araraquara, o livro teve a primeira edição edição de 800 exemplares paga pelo autor e lançada em 1928.
