Clássicos luso-brasileiros com capas de artistas contemporâneos


Ateliês dos artistas

Audiodescrições das capas

A presença dos clássicos

Artistas plásticos contemporâneos reforçam a atualidade de nove obras primas da literatura luso-brasileira. Com cintas removíveis, as capas podem ser desdobradas como uma grande tela.

Datado de 1888, O Ateneu, de Raul Pompeia, apresentou características inovadoras para sua época, com aspectos tanto do realismo quanto do naturalismo. A capa é de Albano Afonso, artista que alia a preocupação estética com uma contundente revisão crítica da história da arte. Aqui ele explora imagens que aludem a uma nostalgia dos gêneros artísticos, particularmente a natureza-morta.

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Álvaro de Campos é um heterônimo de Fernando Pessoa, que o descreveu como “o mais histericamente histérico de mim”. Um dos maiores poetas da língua portuguesa de todos os tempos, Pessoa é figura chave do modernismo.  A capa é de Shirley Paes Leme, artista que tem trabalhos em importantes acervos nacionais e internacionais. Sua obra apresenta uma conexão direta com a poesia e a literatura.

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O Cortiço, de Aluísio Azevedo, é a maior obra do naturalismo na literatura brasileira. A capa é de Luiz Hermano, artista que explora várias técnicas: pintor, escultor, gravurista. No desenho, é dono de um traço expressionista, forte e espontâneo.

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Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, foi publicado como folhetim semanal em um jornal carioca e é considerado o primeiro romance urbano brasileiro. A capa é de Pazé, artista-pesquisador que usou uma justaposição de imagens retiradas da história da arte, de jornais, de  gravuras do acervo da Biblioteca Nacional e desenhos originais seus.

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A falência é o romance mais destacado de Júlia Lopes de Almeida. Publicado em 1901, apresenta traços do realismo e do naturalismo. Escritora de sucesso na sua época, Júlia deixou uma extensa e importante obra que tem sido resgatada com justiça no últimos anos. A capa é de Rosângela Dorazio, artista que se interessa pela transformação das matrizes, e que aqui utiliza uma fotografia com paisagem recortada e sobreposição de desenho .

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Os Maias, de Eça de Queirós, obra-prima do realismo português, acompanha quase um século de uma família tradicional. A capa é de Nazareno, artista que lida com as sutilezas e dubiedades presentes nas relações humanas e extrai significados surpreendentes replicando pequenos objetos que compõem cenas.

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Romance de estreia de Lima Barreto, publicado em 1909, Recordações do escrivão Isaías Caminha já expõe os temas do racismo e exclusão social reservada aos negros na sociedade brasileira, além da hipocrisia da elite e da imprensa da jovem República. A capa é de Rosana Paulino, artista, educadora e pesquisadora com uma obra potente de repercussão internacional e que lança um olhar crítico sobre a história do negro no Brasil.

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Lançado em 1928, Macunaíma, de Mário de Andrade, é o grande romance do modernismo brasileiro. A capa é de Leda Catunda, que se destacou na chamada “Geração 80” com a criação de exuberantes pinturas figurativas realizadas com grande variedade de materiais e que desenvolveu uma “poética da maciez”.

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Considerado o maior nome da literatura brasileira, Machado de Assis lançou Dom Casmurro em 1899, grande romance de sua fase realista e que traz elementos que antecipam o modernismo. A capa é de Sandra Cinto, artista destacada por uma poética lírica e delicada, com uma produção marcada pelo desenho feito com traços finos e precisos.

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A COLEÇÃO

Parceria da Editora B. Beta com ÔZé Editora, a primeira tiragem desta Coleção foi encaminhada ao Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo (SisEB) e disponibilizada a todas as unidades paulistas. Direção editorial: Vera de Sá. Curadoria de artistas: Katia Canton. Direção de produção: Zeco Homem de Montes. Projeto gráfico: Raquel Matsushita.